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Realidade Plena - Ano I - numero II

24 de adar de 5765 -  05 de  março de 2005.

 

Parte IV

O Estado de Israel
- Sob Ocupação Jordaniana
- Jerusalém na História Judaica
- A Construção do Estado
- A Campanha do Sinai, 1956
- Os anos de Consolidação
. O julgamento de Eichmann
- A Guerra dos Seis Dias, 1967
- Entre duas Guerras
- A Guerra de Iom Kipur, 1973
- Da Guerra à Paz
- Operação Paz para a Galiléia, 1982
- Desafios Internos
- Rumo à Paz na Região
- As Conversações Bilaterais
- Conversações Multilaterais
- Israel no Século XX

HISTÓRIA (Parte IV)


O Estado de Israel

O Estado de Israel foi proclamado no dia 14 de maio de 1948, de acordo com o plano de partilha da ONU de 1947. Menos de 24 horas depois, os exércitos regulares do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, forçando Israel a defender a soberania que acabara de reconquistar em sua pátria ancestral. Nesta luta - conhecida como a Guerra de Independência de Israel - as recém-formadas Forças de Defesa de Israel (FDI), pobremente equipadas, rechaçaram os invasores em lutas ferozes e intermitentes, que se prolongaram por 15 meses, e custaram a vida de 6.000 israelenses (quase 1% da população judaica no país na época).
No transcurso dos primeiros meses de 1949, realizaram-se negociações diretas, sob os auspícios da ONU, entre Israel e cada um dos países invasores (exceto o Iraque, que se recusou a negociar com Israel até hoje); o resultado foi a assinatura de acordos de armistício, que refletiam as posições no final dos combates. Em conseqüência, a planície costeira, a Galiléia e todo o Neguev ficaram sob soberania israelense, a Judéia e a Samaria (a Margem Ocidental) ficaram sob o domínio da Jordânia e a Faixa de Gaza, sob administração egípcia; a cidade de Jerusalém ficou dividida, cabendo à Jordânia o controle da parte oriental, inclusive a Cidade Velha, e a Israel, o setor ocidental da cidade.

Sob Ocupação Jordaniana

A Cidade Velha de Jerusalém foi ilegalmente anexada à Jordânia em 1950, após ter sido ocupada pela Legião da Jordânia, em 28 de maio de 1948 – uma anexação reconhecida apenas pela Grã Bretanha e pelo Paquistão. As duas partes da cidade foram divididas com arame farpado e campos minados, enquanto os soldados jordanianos atiravam a esmo nos cidadãos israelenses do alto das antigas muralhas sagradas. Todos os israelenses – judeus, muçulmanos e cristãos – tiveram sua entrada proibida na Cidade Velha, em flagrante violação do Acordo de Armistício entre Israel e Jordânia, assinado em março de 1949. Os turistas estrangeiros em visita a Jerusalém geralmente tinham que apresentar a certidão de batismo. Durante todos esses anos, todos os vestígios da presença judaica na cidade foram sistematicamente abolidos. Construiu-se uma estrada que cortava o antigo cemitério judaico no Monte das Oliveiras, usando-se suas lápides para pavimentar os pisos nos acampamentos militares e nas latrinas. Cinqüenta e oito sinagogas, incluindo a Sinagoga Hurva, de 700 anos de construída, na Cidade Velha, foram praticamente violadas e destruídas. Negou-se o acesso aos judeus a seus lugares sagrados, especialmente ao Muro das Lamentações. E os israelenses muçulmanos também se viram impedidos de ter acesso às mesquitas na Cidade Velha de Jerusalém.

Quando Israel libertou Jerusalém, o Governo promulgou a Lei de proteção dos Lugares Santos, garantindo liberdade de acesso e culto aos locais sagradas de todas as fés e denominações, além de autonomia interna a vários grupos religiosos para administrarem suas respectivas propriedades e locais de culto. O Knesset estendeu jurisdição israelense a Jerusalém Oriental, dessa forma unificando a cidade sob governo de Israel e colocando um fim à legislação discriminatória. Os israelenses agiram com rapidez para normalizar os direitos aos muçulmanos de orar no Monte do Templo, apesar do fato de que este seja o mais sagrado dos locais para a religião judaica. Hoje em dia, o Wakf, que administra o Monte do Templo, proíbe os judeus de orarem nesse local sagrado.

Jerusalém na História Judaica

Jerusalém está indissoluvelmente ligada ao povo judeu. Seu status especial para a tradição judaica remonta a cerca de 4.000 anos. Em 1004 A.C., David fez da cidade a capital de seu reino e seu filho, Salomão, lá construiu o Templo Sagrado. A cidade permaneceu como capital da dinastia de David durante 400 anos, até ser conquistada e destruída pelo babilônios, em 586 A.C.

Jerusalém é mencionada mais de 800 vezes na Bíblia; e tem 70 nomes na literatura pós-bíblica.

A destruição de Jerusalém é comemorada em rituais sem conta, orações, em dias de jejum. Os judeus, em todo o mundo, fazem sua orações voltados para Jerusalém. Quebra-se um copo na cerimônia de casamento, pois nenhuma alegria pode se completa enquanto o Templo Sagrado de Jerusalém não for reconstruído. Os judeus muito religiosos deixam um quadrado de reboco sem acabamento, ao construir uma casa nova, “em memória da destruição do Templo”. As orações do Seder de Pessach (Páscoa dos judeus) e de Yom Kipur (Dia do Perdão) culminam com o desejo fervoroso de que “no ano próximo, estejamos em Jerusalém!”



A Construção do Estado

Com o fim da guerra pela independência, Israel concentrou seus esforços na construção do Estado pelo qual o povo tinha lutado tão longa e arduamente. O primeiro Knesset (parlamento) de 120 assentos entrou em funcionamento após as eleições nacionais (25 de janeiro de 1949), com a participação de quase 85% dos eleitores. Duas figuras que haviam conduzido Israel à independência tornaram-se os líderes do país: David Ben-Gurion, presidente da Agência Judaica, foi eleito Primeiro-Ministro; e Chaim Weizmann, presidente da Organização Sionista Mundial, foi o primeiro Presidente eleito pelo Knesset. Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o 59o. membro das Nações Unidas.

De acordo com o conceito de "reunião dos exilados", que é a verdadeira razão de ser do Estado de Israel, os portões do país foram abertos de par em par, confirmando o direito de cada judeu de vir a Israel e, ao chegar, receber cidadania automaticamente. Nos primeiros quatro meses de independência, chegaram ao país cerca de 50.000 imigrantes, em sua maioria sobreviventes do Holocausto. No final de 1951, haviam chegado cerca de 687.000 pessoas, homens, mulheres e crianças, dentre os quais 300.000 refugiados dos países árabes; a população judaica do país duplicara no prazo de quatro anos.
A crise econômica causada pela Guerra da Independência e a necessidade de dar atendimento à população que crescia rapidamente exigiram uma política de austeridade interna e a procura de ajuda financeira do exterior. O auxílio prestado pelo governo dos Estados Unidos, os empréstimos de bancos americanos, a contribuição dos judeus da Diáspora e as reparações alemãs do pós-guerra foram empregados na construção de moradias, na mecanização da agricultura, no estabelecimento da marinha mercante e da linha aérea nacional, no desenvolvimento industrial e na expansão de rodovias, telecomunicações e rede elétrica.
No final da primeira década, a produção industrial do país tinha dobrado, assim como o número de pessoas empregadas; as exportações industriais haviam quadruplicado. O aumento das áreas cultivadas havia trazido a auto-suficiência no suprimento de todos os produtos alimentícios básicos (exceto carne e cereais); cerca de 20.000 hectares de terra árida foram reflorestados, e foram plantadas árvores ao longo de 800 km de estradas.
O sistema educacional, desenvolvido pela comunidade judaica no período anterior ao estado e que agora incluía o setor árabe, expandiu-se consideravelmente. A freqüência escolar tornou-se gratuita e compulsória para todas as crianças entre 5 e 14 anos (desde 1978 ela é obrigatória até os 16 anos e gratuita até os 18). As atividades artísticas e culturais floresciam, misturando elementos ocidentais, do Oriente Médio e da África do Norte; judeus chegados de todas as partes do mundo traziam consigo as tradições específicas de suas comunidades, assim como os aspectos culturais preponderantes dos países onde haviam vivido durante gerações.
Quando Israel celebrou seu 10o aniversário, a população ultrapassava os 2 milhões de habitantes.



A Campanha do Sinai, 1956

Apesar de tudo, estes anos de construção nacional foram obscurecidos por sérios problemas de segurança. Os acordos de armistício de 1949 não só haviam fracassado em pavimentar o caminho para a paz; eram também constantemente violados. Contrariando a resolução do Conselho de Segurança da ONU de 1¼ de setembro de 1951, os navios israelenses e aqueles com destino a Israel eram impedidos de passar pelo Canal de Suez; o bloqueio ao Estreito de Tiran foi reforçado; incursões de grupos terroristas provenientes dos países árabes vizinhos ao território de Israel, vindos para matar e sabotar, eram cada vez mais freqüentes; e a península do Sinai convertia-se gradualmente numa imensa base militar egípcia.
Com a assinatura de uma aliança militar tripartite entre o Egito, a Síria e a Jordânia (outubro de 1956) a ameaça à existência de Israel tornou-se mais iminente. No curso de uma campanha militar de oito dias, as FDI capturaram a Faixa de Gaza e toda a península do Sinai, detendo-se a 16 km a leste do Canal de Suez. A decisão da ONU de enviar uma Força de Emergência (UNEF) ao longo da fronteira Egito-Israel e garantias egípcias de permitir a livre navegação no Golfo de Eilat levaram Israel a concordar em retirar-se em etapas (novembro de 1956 - março de 1957) das áreas conquistadas poucas semanas antes. Em conseqüência, o Estreito de Tiran foi aberto, permitindo o desenvolvimento do comércio com países da Ásia e da África, assim como a importação de petróleo do Golfo Pérsico.

Os anos de Consolidação


Durante a segunda década (1958-68), as exportações duplicaram e o PNB subiu cerca de 10% anualmente. Artigos anteriormente importados, como papel, pneus, rádios e geladeiras, eram agora fabricados no país; mas o crescimento mais vertiginoso ocorreu nos ramos recentemente criados, como metalúrgica, mecânica, química e eletrônica. Como o mercado interno para os produtos alimentícios estava chegando rapidamente ao ponto de saturação, o setor agrícola voltou-se a culturas destinadas à indústria alimentícia, assim como a produtos frescos para fins de exportação. Para atender à demanda do crescente tráfego comercial, um segundo porto para navios de grande calado foi construído em Ashdod, na costa do Mediterrâneo, além do já existente em Haifa.
Em Jerusalém foi construída a sede definitiva do Knesset, assim como novos prédios para o Centro Médico Hadassa e para a Universidade Hebraica, em substituição aos locais anteriores situados no Monte Scopus, abandonados após a Guerra da Independência. Foi fundado o Museu Israel, com o objetivo de colecionar, conservar, estudar e expor os tesouros artísticos e culturais do povo judeu.

As relações exteriores de Israel expandiam-se: estreitaram-se os laços com os Estados Unidos, os países da Comunidade Britânica, a maioria dos países da Europa Ocidental, quase todos os países da América Latina e da África e alguns da Ásia. Iniciaram-se extensos programas de cooperação internacional, e centenas de israelenses, médicos, engenheiros, professores, agrônomos, peritos em irrigação e monitores de movimentos juvenis, compartilhavam seu know-how e experiência com outros países em desenvolvimento.
Em 1965 o país trocou embaixadores com a República Federal da Alemanha, um passo que fora anteriormente adiado por causa das amargas memórias do povo judeu dos crimes cometidos durante o regime nazista (1933-45). Oposição violenta e debates públicos precederam a normalização das relações entre os dois países.

O julgamento de Eichmann

Em maio de 1960, Adolfo Eichmann, um dos principais organizadores do programa de extermínio nazista duranta a 2a Guerra Mundial, foi trazido ao país para ser julgado segundo a Lei israelense (de Punição) dos Nazistas e de Seus Colaboradores, de 1950. Neste julgamento, iniciado em abril de 1961, Eichmann foi considerado culpado de crimes contra a humanidade e o povo judeu, e condenado à morte. Seu apelo à Suprema Corte foi rejeitado, e ele foi enforcado em 30 de maio de 1962. Esta foi a única vez em que a pena de morte foi aplicada sob a lei israelense.

A Guerra dos Seis Dias, 1967

Esta guerra eclodiu seguindo-se a um período de crescente campanha anti-Israel, em todo o Oriente Médio, durante os meses de abril e maio de 1967. Em 15 de maio, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser ordenou a retirada das Forças de Paz Emergenciais das Nações Unidas estacionadas no Sinai e, logo a seguir, fechou o Estreito de Tirã à navegação de Israel, desafiando as leis internacionais. Em 31 de maio, o Egito havia deslocado 100.000 homens, 1.000 tanques e 500 peças de artilharia pesada para o Sinai. O Egito e a Jordânia tinham assinado um acordo militar de defesa e a Síria, Jordânia e Iraque haviam convocado seus exércitos. O Kuwait, Arábia Saudita, Sudão e Argélia tinham enviado tropas e armamentos. Israel viu-se cercado por um contingente de cerca de 250.000 soldados, mais de 2.000 tanques e 700 aviões de combate. O Presidente Aref, do Iraque, declarou: “Nosso objetivo é claro: varrer Israel do mapa”. Em 4 de junho, Israel defrontava-se com o inimigo em três frentes.

Com a declaração de neutralidade por parte dos EUA e a imposição de um embargo de armas na região, em conjunto com a França – enquanto que a ex-URSS armava maciçamente os árabes – e os israelenses eram cada vez mais isolados na arena internacional, o brado pela aniquilação de Israel não era uma ameaça sem fundamento. Na manhã de 5 de junho, a Força Aérea de Israel, antecipando-se a qualquer ação do inimigo, destruiu praticamente toda a Força Aérea Egípcia. Os tanques israelenses cruzaram o Sinai até a margem oriental do Canal de Suez. Em 5 de junho, a Jordânia atacou Israel.

A 7 de junho, os soldados israelenses derrubaram as muralhas da Cidade Velha de Jerusalém. Correndo cegamente, esses soldados dirigiram-se ao Muro das Lamentações, chorando como crianças ao abraçar suas pedras ancestrais. Após escalar o Muro, soaram as palavras eletrizantes do Comandante Motta Gur: “O Monte do Templo está em nossas mãos! O Monte do Templo está em nossas mãos!”


Entre 2 Guerras

Terminada a guerra, o desafio diplomático de Israel era traduzir suas vitórias militares em paz permanente, baseando-se na resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU que apelava pelo "reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de todos os estados da região e de seu direito de viver em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, livres de ameaças ou atos de força". A posição árabe, contudo, conforme formulada na Conferência de Cúpula de Cartum (agosto de 1967) era "não à paz com Israel, não a negociações com Israel e não ao reconhecimento de Israel". Em setembro de 1968, o Egito iniciou uma "guerra de desgate", com ações esporádicas e estáticas ao longo das margens do Canal de Suez, que se transformaram em combates de grande escala, causando pesadas perdas a ambos os lados. As hostilidades cessaram em 1970, quando o Egito e Israel aceitaram um novo cessar-fogo ao longo do Canal de Suez.

A Guerra de Iom Kipur, 1973

Três anos de relativa calma ao longo das fronteiras terminaram no Iom Kipur (Dia da Expiação), o dia mais sagrado do calendário judaico, quando o Egito e a Síria lançaram um ataque de surpresa coordenado contra Israel (6 de outubro de 1973): o exército egípcio atravessou o Canal de Suez e as tropas sírias invadiram o planalto do Golan. Durante as três semanas seguintes, as Forças de Defesa de Israel mudaram o rumo da batalha e repeliram os atacantes, atravessando o Canal de Suez, e penetrando no Egito, ao mesmo tempo que avançavam até 32 km de distância de Damasco, capital da Síria. Dois anos de difíceis negociações entre Israel e o Egito e entre Israel e a Síria resultaram em acordos de separação de tropas, pelos quais Israel se retirou de parte dos territórios conquistados na guerra.

Da Guerra à Paz

Embora a guerra de 1973 tenha custado a Israel um ano de seu PNB, a economia já tinha se recobrado na segunda metade de 1974. Os investimentos estrangeiros cresceram, e quando Israel se tornou um membro associado do Mercado Comum Europeu (1975), abriram-se novos mercados aos produtos israelenses. O turismo incrementou e o número anual de visitantes ultrapassou o marco de um milhão.
As eleições de 1977 para o Knesset trouxeram ao poder o bloco do Likud, uma coalizão de partidos liberais e centristas, terminando com quase 30 anos de predominância do Partido Trabalhista. Ao tomar posse, o novo primeiro-ministro, Menachem Begin, reiterou o compromisso de todos os seus predecessores por uma paz permanente na região, apelando aos países árabes a virem à mesa das negociações.
O círculo vicioso da rejeição por parte dos árabes a todos os apelos de paz de Israel foi rompido com a visita do presidente egípcio Anuar Sadate a Jerusalém (novembro de 1977), à qual se seguiram negociações entre o Egito e Israel, sob os auspícios dos E.U.A., e que culmiram com os acordos de Camp David - (setembro de 1978). Tais acordos continham as linhas gerais para um acordo de paz abrangente no Oriente Médio, inclusive uma proposta detalhada de auto-governo para os palestinos. Em 26 de março de 1979, Israel e o Egito assinaram um tratado de paz em Washington, que trouxe o fim aos 30 anos de estado de guerra entre os dois países.
De acordo com os termos do tratado, Israel retirou-se da península do Sinai, substituindo as antigas linhas de cessar-fogo e acordos de armistício por fronteiras internacionais mutuamente reconhecidas.
Alguns dos países africanos que haviam rompido suas relações com Israel em resultado da pressão árabe durante a crise do petróleo de 1973, renovaram seus vínculos econômicos, restabelecendo as relações diplomáticas.

Operação Paz para a Galiléia, 1982

A fronteira internacional com o Líbano jamais foi questionada por nenhuma das partes. Contudo, quando a Organização de Libertação da Palestina (OLP) se instalou no sul do Líbano, após ter sido expulsa da Jordânia (1970), passando a perpetrar repetidas ações terroristas contra as cidades e colônias agrícolas do norte de Israel (Galiléia), causando danos físicos e materiais, as Forças de Defesa de Israel cruzaram a fronteira e entraram no Líbano (1982). A "Operação Paz para a Galiléia" conseguiu remover a maior parte da infra-estrutura organizacional e militar da OLP para fora da região. Desde então, Israel mantém uma pequena zona de segurança no sul do Líbano, adjacente à sua fronteira setentrional, para salvaguardar a população da Galiléia contra os constantes ataques de elementos hostis.

Desafios Internos

Nas décadas de 80 e 90, Israel absorveu mais de 750.000 novos imigrantes, em sua maioria da antiga União Soviética, Europa Oriental e Etiópia. Este grande influxo de consumidores, assim como o considerável aumento do número de trabalhadores, profissionais ou não, somados a medidas estritas de controle inflacionário, colocaram a economia num período de expansão acelerada, tendo sido atingido um dos maiores índices de crescimento do PIB entre os países ocidentais.
O governo que subiu ao poder após as eleições de 1984 para o Knesset se compunha dos dois principais partidos políticos - o Trabalhista (centro/esquerda) e o Likud (centro-direita). Este foi substituído, em 1988, por uma coalizão encabeçada pelo Likud à qual, após o período de governo de quatro anos, seguiu-se em 1992 uma coalizão trabalhista e de outros pequenos partidos de esquerda. Durante estes anos, cada um dos governos trabalhou pela consecução da paz, o desenvolvimento econômico e a absorção dos imigrantes, de acordo com suas próprias convicções políticas.

Rumo à Paz na Região

Desde a assinatura do tratado de paz Egito-Israel (1979), várias iniciativas foram apresentadas, por Israel e outros, com o objetivo de promover o processo de paz no Oriente Médio. Tais esforços levaram à reunião da Conferência de Paz de Madrid (outubro de 1991), realizada sob os auspícios dos Estados Unidos e União Soviética, que reuniu representantes de Israel, da Síria, do Líbano, da Jordânia e dos palestinos. Os procedimentos formais foram seguidos de negociações bilaterais entre as partes e por conversações multilaterais tratando de problemas regionais.

As Conversações Bilaterais

Israel e os palestinos: Após meses de intensivos contatos secretos em Oslo entre negociadores de Israel e da Organização de Libertação da Palestina (OLP), foi formulada uma Declaração de Princípios, onde foram delineados os arranjos para o auto-governo dos palestinos na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Sua assinatura foi precedida por uma troca de cartas (setembro de 1993) entre o líder da OLP Yasser Arafat e o Primeiro-Ministro Yitzhak Rabin, nas quais a OLP renunciava ao uso do terrorismo, comprometia-se a invalidar os artigos de sua Carta que negam o direito de Israel à existência, e se comprometia a uma solução pacífica do conflito territorial de tantas décadas entre palestinos e judeus. Por sua parte, Israel reconhecia a OLP como representante do povo palestino.
Assinada por Israel e a OLP em setembro de 1993 em Washington, a Declaração de Princípios contém um conjunto de princípios gerais mutuamente acordados sobre um período interino de cinco anos de auto-governo palestino, a ser implantado em quatro etapas. O primeiro passo, estabelecendo o auto-governo na Faixa de Gaza e na área de Jericó, ocorreu em maio de 1994. Em agosto do mesmo ano foi introduzida a segunda etapa, que envolvia a transferência de poderes e responsabilidades aos representantes palestinos na Margem Ocidental em cinco esferas específicas - educação e cultura, saúde, bem-estar social, impostos e turismo. O Acordo Interino Israelense-Palestino de setembro de 1995, que constitui a terceira etapa, ampliou o auto-governo palestino na Margem Ocidental através da eleição de uma autoridade autônoma - o Conselho Palestino - a fim de permitir aos palestinos a condução de seus assuntos internos.
A última etapa - negociações entre as partes sobre os arranjos para o status final - iniciaram-se de acordo com o que estava previsto em maio de 1996. Tais conversações determinarão a natureza permanente das disposições, cobrindo assuntos pendentes que incluem: os refugiados, os assentamentos, assuntos de segurança, fronteiras e Jerusalém.
Israel e a Jordânia: Três anos de conversações entre a Jordânia e Israel, após a Conferência de Madrid, culminaram com uma declaração do Rei Hussein e do Primeiro-Ministro Yitzhak Rabin (julho de 1994), pondo fim ao estado de guerra de 46 anos entre os dois países. O tratado de paz Jordânia-Israel foi assinado no posto fronteiriço do Aravá (perto de Eilat, em Israel, e Ácaba, na Jordânia) no dia 26 de outubro de 1994, na presença do Presidente americano Bill Clinton. Desde então, Israel e a Jordânia vêm cooperando em várias esferas para benefício de ambos países.
Israel e a Síria:Nos marcos estipulados por Madrid, as conversações entre as delegações israelense e síria se iniciaram em Washington e têm-se realizado periodicamente a nível de embaixadores, com a participação de altos funcionários americanos. Dois ciclos recentes de conversações de paz sírio-israelenses (dezembro de 1995 e janeiro de 1996) focalizaram a segurança e outros assuntos-chave. Profusamente detalhadas e de amplo escopo, as conversações identificaram importantes áreas de concordância e convergência conceptuais, para discussão e consideração futuras.

Conversações Multilaterais

As conversações multilaterais foram iniciadas como parte integrante do processo de paz, com o objetivo de encontrar soluções para problemas regionais fundamentais, e ao mesmo tempo instaurar confiança para permitir relações normalizadas entre as nações do Oriente Médio. Após a Conferência Multilateral de Moscou para o Oriente Médio (janeiro de 1992), na qual participaram 36 países e organizações internacionais, as delegações se dividiram em cinco grupos de trabalho, que tratam de áreas específicas de interesse regional comum: meio ambiente, controle dos armamentos e segurança regional, refugiados, fontes de água e desenvolvimento econômico. Seus participantes se encontram periodicamente em vários locais da região.

Israel no Século XX

Após o assassinato do Primeiro-Ministro Yitzhak Rabin (novembro de 1995), o governo - de acordo com seu direito de nomear um dos ministros (neste caso, obrigatoriamente um membro do Knesset) para exercer o cargo de primeiro-ministro até as próximas eleições - nomeou o Ministro das Relações Exteriores Shimon Peres a esta função, com todos os privilégios concedidos pelo cargo. As eleições de maio de 1966 trouxeram ao poder uma coalizão governamental constituída de elementos nacionalistas, religiosos e centristas, chefiada por Binyamin Netanyahu do Likud.
Com o objetivo de dedicar-se aos interesses primordiais do Estado de Israel, o governo tem diante de si vários desafios, entre os quais a continuação do processo de paz; a garantia da segurança do país; a ampliação dos laços diplomáticos no mundo; a melhoria do sistema educacional, com a instituição de turmas menores e o aumento do número de aulas diárias; a promoção de oportunidades educacionais iguais; a ênfase nos estudos científicos e tecnológicos, a fim de atender à indústria israelense; o aumento da competividade econômica com menor intervenção governamental; a redução do déficit na balança de pagamentos; a manutenção de um índice inflacionário baixo; a diminuição da burocracia governamental; a diminuição do peso dos impostos; o encontro de soluções para os problemas habitacionais; e a expansão da infra-estrutura. O ritmo constante de imigração e o progresso do processo de paz influenciarão sem dúvida de forma positiva o crescimento e o desenvolvimento contínuo de Israel rumo ao próximo século.

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